Sejam bem Vindos ao meu Cantinho!

Sejam bem Vindos ao meu Cantinho!
"... E o enchi com o meu Espírito. Eu lhe dei inteligência, competência e habilidade para fazer todo tipo de trabalho artístico; para fazer desenhos e trabalhar em ouro, prata e bronze; lapidar e montar pedras preciosas; para entalhar madeira; e para fazer todo tipo de artesanato." Ex 31.3-5

quarta-feira, 6 de abril de 2016

A IMPORTÂNCIA DA LEITURA NO ENSINO FUNDAMENTAL

Jean Carlos da Conceição 
José Eder Carvalho Nascimento 

RESUMO

Este artigo retrata a importância da leitura em sala de aula, além disso, oferece suporte aos educadores e alunos na utilização de diversos recursos como fonte de estímulo aos mesmos, tendo como base neste trabalho acadêmico os seguintes teóricos: Paulo Freire (1989), Mercedes Justos (2010), Izaides Pereira (2007), Elisa Meirelles (2010), Renata Junqueira de Souza (1992), Ângela Fronckowinak (2010), Ana Maria Machado (2010) e outros reconhecidos na área pedagógica.

Palavras-Chave: Leitura; Educadores; Recursos.

1 INTRODUÇÃO

A leitura é o caminho para ampliação da percepção do mundo à nossa volta. Quanto mais um indivíduo lê mais integrado com o seu meio estará. A leitura é feita de diversas formas, uma das principais é a utilizada pela escrita, onde pode ser observável através de livros, revistas, jornais, entre tantos outros dos quais se utilizam símbolos reconhecíveis por uma determinada sociedade. 

É uma necessidade cada vez maior no mundo globalizado que os indivíduos aprendam desde cedo a compreender amplamente o seu meio e, para tanto, é necessário que os mesmos desfrutem de mecanismos que possibilitem essa façanha. O professor, juntamente com os pais tem que ter consciência da parceria que deve existir entre si. 

Este artigo científico tem como objetivo geral reconhecer que é necessário, desde cedo a leitura do indivíduo. A escola tem que adotar o método de inserção da leitura desde as séries iniciais e que os pais têm que ajudar nesse processo ensino-aprendizagem para uma melhoria considerável no conhecimento do aluno como um todo.

Ressaltamos que as obras dos autores citados neste artigo não foram lidas a fundo, utilizamos apenas ideias básicas e que, para um melhor aprofundamento no assunto recomendamos que vá além desta pesquisa e busque ler e se aprofundar no tema em destaque. De maneira alguma queremos trazer ideias acabadas, mas que sirvam como um incentivo à busca de maiores conhecimentos a respeito deste tema.

Para a formulação desse trabalho científico, foi utilizada a metodologia bibliográfica de diferentes tipos de textos e livros como fundamentação teórica: revistas Pátio (jul/set/2010), Nova Escola (ago/2010) e Na ponta do Lápis (jul/2010), WebArtigos.com (A Importância Da Leitura Nas Séries Iniciais, publicado em 11 de dezembro de 2007 por Izaides Pereira).

O artigo parte de uma problemática que vem sendo discutida há alguns anos por especialistas em educação para responder o seguinte questionamento: Como a escola deve trabalhar a leitura dentro e fora da sala de aula e quais os meios de utilização da mesma especialmente na Educação Infantil e nas séries iniciais do Ensino Fundamental?

Quando a escola oferece suporte para seus alunos, professores e pais como acervos de livros, bibliotecas, baús de leitura, entre outros benefícios como auxílio e incentivo a leitura, o aluno tem como desenvolver suas habilidades literárias e ampliar sua visão de mundo desde que o educando e os pais trabalhem de forma adequada para que isso aconteça.

Este trabalho é justificado pela importância da leitura e pelos métodos que vem sendo implantados nas nossas escolas e como se pode melhorar a prática da leitura. O presente artigo, elaborado por professores das séries iniciais que têm preocupação com o desenvolvimento dos seus discípulos tende a contribuir para uma melhor utilização da leitura em sala de aula. As ideias apresentadas aqui só tendem a ampliar ainda mais os horizontes no mundo maravilhoso da leitura.

2 LEITURA DESDE O BERÇO: a formação do leitor

A leitura não se dá apenas com os livros e sim com a observação e interação do indivíduo no meio social. Dentre tais conceitos, Lajolo (1994, p. 7, grifo do autor) diz:


Ninguém nasce sabendo ler: aprende-se a ler à medida que se vive. Se ler livros geralmente se aprende em bancos da escola, outras leituras geralmente se aprendem por aí, na chamada escola da vida: a leitura do vôo das arribações que indicam a seca ? como sabe quem lê Vidas secas de Graciliano Ramos ? independe da aprendizagem formal e perfaz na interação cotidiana com o mundo das coisas e dos outros.


Como mostra o texto acima à leitura não é unicamente feita na escola, ela se dá de duas formas: uma é através dos livros da qual se aprende em sala de aula, e a outra, é a prática do dia-a-dia. No entanto, é perceptível que se conhece vidas diferenciadas sem ter vivenciado na íntegra como sabe quem lê Vidas secas de Graciliano Ramos. Desde seu nascimento, o indivíduo aprende a fazer leitura do meio em que está inserido, sendo assim é de fundamental importância que o mesmo tenha desde sua infância hábitos de leitura. Justo (Pátio, jul/set 2010, p. 38) interage, ao dizer:

A bebeteca é um espaço especialmente planejado para crianças de 0 a 3 anos em uma biblioteca pública. Lá crianças e pais têm acesso a livros e participam de atividades como a Hora do Conto, que aproxima os bebês do prazer da leitura desde muito cedo.



Desta forma, percebe-se quão grande é a importância da leitura desde seu nascimento, perfazendo, assim, um ciclo vital, não só dos bebês, mas também dos pais que ao incentivar seus filhos acabam por fazer várias leituras no ambiente e habitua-se à mesma que talvez antes não a faziam. Assim sendo, é necessário um ambiente aconchegante e que traga prazer aos pais e filhos que o frequentem.

A leitura como objeto de estudo nunca foi tão discutida como está sendo nos últimos anos. Souza (1992, p. 22) define:

Leitura é, basicamente, o ato de perceber e atribuir significados através de uma conjunção de fatores pessoais com o momento e o lugar, com as circunstâncias. Ler é interpretar uma percepção sob as influências de um determinado contexto. Esse processo leva o indivíduo a uma compreensão particular da realidade.


Diante dessa afirmação, compreende-se o verdadeiro significado de leitura e percebe-se que ler não é meramente decifrar os códigos linguísticos, mas também compreendê-los de forma com que os mesmos formem um significante. O ato de ler é bem mais que a definição da palavra propriamente dita, é entender, é interpretar, é debater, é comparar, é influenciar e ser influenciado, é propagar e é sentir o que o escritor tenta, através da escrita, demonstrar o que quer, o que sabe, o que pensa, o que imagina. 

A partir dessa concepção, Elisa Meirelles (Nova Escola, ago/2010, p. 50, grifo do autor) reforça:

Garantir o contato com as obras e apresentar diversos gêneros às crianças pequenas é a principal função dos professores de Educação Infantil para desenvolver os comportamentos leitores e o gosto pela literatura desde cedo.




O que Elisa Meirelles quer nos dizer é que isso tudo é possível, mesmo não sabendo ler o que está escrito, basta à criança um simples folhear de páginas, uma simples olhada nas ilustrações para que a imaginação aflore e dê significado ao que se vê, possibilitando vários olhares e várias compreensões do que se observa, dessa maneira desenvolvendo a sua criatividade, mas que esse trabalho primeiramente começa com o incentivo do professor de Educação Infantil e na escolha dos livros adequados à idade de cada uma.

Paulo Freire (1981, p. 12) complementa esse pensamento, ao dizer:

Creio que muito de nossa insistência, enquanto professoras e professores, em que os estudantes "leiam", num semestre, um sem-número de capítulos de livros, reside na compreensão errônea que às vezes temos do ato de ler. Em minha andarilhagem pelo mundo, não foram poucas as vezes am [sic] que jovens estudantes me falaram de sua luta às voltas com extensas bibliografias a serem muito mais "devorados" do que realmente lidos ou estudados.


A partir desse pensamento compreende-se que devemos ler sempre e seriamente livros que nos interessem, que nos ajude na mudança da nossa prática, que possamos realmente ler, procurando nos aprofundar nos textos. Freire deixou bem claro que a leitura não deve ser memorizada mecanicamente, mas sim, desafiadora, que nos ajude a pensar e observar a realidade em que vivemos. 



3 CONSIDERAÇÕES FINAIS


O trabalho de leitura com os diferentes tipos de textos não devem ser descartados nunca, mesmo nas séries iniciais em que os alunos ainda não conseguem ler o que está escrito, mas só o fato de eles estarem em constante contato com o material irá proporcionar de forma significativa um aprendizado que irá facilitar futuramente o desenvolvimento da leitura escrita, pois é com eles que os alunos aprendem e desenvolvem sua leitura, sua imaginação e sua criatividade, abrindo portas para o mundo encantado da literatura.
O assunto abordado neste artigo é de grande relevância para seus articulistas, pois vem suprir a necessidade de um estudo mais elaborado em torno da leitura nas séries iniciais do Ensino Fundamental e seu processo de implantação na Educação Infantil, atingindo assim seu objetivo principal. Não conseguindo fechar e enxugar o tema discutido, deixamos bem claro que há muito sobre o que pesquisar ainda e que este trabalho venha servir de instrumento bibliográfico para pesquisas vindouras.

4 REFERÊNCIAS 

BALDI, Elizabeth. Uma escola comprometida com a formação de leitores. Pátio, ano VIII nº 24, jul/set. 2010. p. 41-43.
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 23ª. ed. São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1989.
FRONCKOWIAK, Ângela. O encontro de crianças e literatura na educação infantil. Pátio, ano VIII, nº 24, jul/set. 2010. p. 04-07.
JUSTO, Mercedes. Leitura desde o berço. Pátio, ano VIII, nº 24, jul/set. 2010. p. 38-40.
LAJOLO, Marisa. Do mundo da leitura. In: Do mundo da leitura para leitura do mundo. 6. ed. São Paulo: Ática, 1994, p. 11-65.
MACHADO, Ana Maria. É possível formar bons leitores em sala de aula? Na Ponta do Lápis, ano VI, nº 14, p. 4.
MEIRELES, Elisa. Literatura, muito prazer. Nova escola, ano XXV, nº 234, p. 48-58, ago. 2010.
PEREIRA, I. A Importância da Leitura nas Séries Iniciais. Webartigos.com, dez. 2007. <http://www.webartigosos.com/articles/3046/1/A-Importancia-Da-Leitura-Nas-Series-Iniciais/pagina1.html#ixzz10NFAWINU>. Acesso em 24 de set 2010.
SOUZA, Renata Junqueira de. Narrativas Infantis: a literatura e a televisão de que as crianças gostam. Bauru: USC, 1992.

Leia mais em: http://www.webartigos.com/artigos/a-importancia-da-leitura-no-ensino-fundamental/48102/#ixzz4536IzupU

Proposta com ideias para trabalhar leitura dinâmica

Proposta para trabalhar leitura
- Tema: “Leitura dinâmica”
- Alunos atendidos: 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Dom José Delgado
- Duração: O trabalho deverá ser desenvolvido durante todo o ano letivo (ser inserido na rotina).




“O primeiro recurso pedagógico
Deve ser sempre o da sedução.”
Rufino Santos

Justificativa
Considerando que o estímulo à leitura é uma forma básica de formação, e que esta deve ser inserida no cotidiano de nossos estudantes, será desenvolvido a proposta: “Leitura dinâmica”, a qual possibilitará ao alunado se encantar com a leitura, a partir de situações efetivas e permanentes (ao longo do ano letivo) de aprendizagem, contribuindo para o desenvolvimento do comportamento leitor (comentar livros, discutir o sentido de um trecho, debater ideias, levantar e explicitar hipóteses, indicar livros interessantes para a turma, etc.), oportunizando dessa forma, o caminho para a formação do leitor proficiente.
Objetivo:
- Desenvolver o comportamento leitor;


- reconhecer os usos e funções da leitura;
- perceber as diferentes finalidades da leitura.




-Recursos:
Mural de leitura deleite ou compartilhada, caixa de passatempo, pastinha da leitura, avental, baú de surpresas, carrinho da leitura, textos diversos, etc.
Obs: As ilustrações acima, são apenas dicas do material que deverá ser confeccionado neste projeto. Elas foram encontradas em blogs como o de Tia Lu, Avental de histórias, Ideias e artes e outros que, infelizmente não lembro o endereço (quem souber, é só indicar que terei o prazer de expor).
Algumas sugestões para o desenvolvimento da proposta:- De início, confeccionar os recursos necessários para o desenvolvimento da proposta.
- Expor para os alunos o trabalho que será desenvolvido, apresentando os materiais. Falar dos objetivos, dos cuidados com os recursos, da importância do trabalho, etc.
- Na caixa de passatempo disponibilizar diversos materiais, como: vários tipos de texto, labirinto, desenhos, cruzadinha, jogo da memória, caça-palavra, alfabeto móvel, além de outros. Este trabalho é uma maneira prazerosa e produtiva de ocupar os alunos que realizam as atividades rapidamente e costumam distrair os colegas que ainda não terminaram tirando-lhes a concentração.
- Quanto à pastinha da leitura, o trabalho deverá ser realizado buscando que o aluno leve o livro para casa, de forma que a leitura seja compartilhada com a família. É importante que ele também fale um pouco para a turma do livro que escolheu (falar de um trecho, indicar, etc). Buscando variar, o professor poderá solicitar que o aluno traga algum tipo de texto para apresentar a turma.
- Em relação ao mural, a exploração ocorrerá a partir de leitura deleite ou compartilhada, de forma a montar semanalmente o mural com textos diversificados, trazidos pelo professor ou pelo aluno (jornalístico, adivinhas, parlendas, contos, músicas, poesias, etc). É importante que a leitura seja realizada diariamente e os textos sejam disponibilizados no mural. O Professor poderá fazer uso de materiais para recorte.
- O avental servirá para contagem de diferentes histórias.
- O trabalho com o palquinho da leitura, será elaborado um cronograma de atendimento da sala de leitura, de forma que ele permaneça uma semana em cada sala, com textos diversificados. É interessante que o professor utilize a caixa de som com microfone para que o aluno faça a leitura do texto escolhido, para os demais.
- A caixa surpresa (baú) poderá ser empregada para diversas finalidades, como: colocar materiais relativos aos projetos trabalhados, livros para contação de histórias, objetos para bingos, ditados dinâmicos, etc.
- Pode-se trabalhar ainda com o carrinho da leitura, portando diversos textos (carrinho de carregar feira de fruta), de forma que ele permaneça no máximo meia hora em cada sala, objetivando que o aluno possa continuar a leitura do material escolhido na próxima visita do carrinho.
- É interessante e importante separar um “caderno de leitura” para que o aluno pregue pequenos textos e realize leitura na escola e em casa.
- Caso for possível, o professor presenteará os alunos com um livro de literatura (no aniversário de cada um) com uma dedicatória e assinatura de todos da sala, sendo uma forma de incentivar a leitura.
- Elaborar uma sequência didática para trabalhar textos diversificados (leitura, produção, etc).
Sugestão de texto para iniciar o trabalho:
Ler sempre.
Ler muito.
Ler “quase tudo”.
Ler com os olhos, os ouvidos, com o tato, pelos poros
e demais sentidos.
Ler com razão e sensibilidade.
Ler desejos, o tempo, o som do silêncio e do vento.
Ler imagens, paisagens, viagens.
Ler verdades e mentiras.
Ler o fracasso, o sucesso, o ilegível, o impensável, as
entrelinhas.
Ler na escola, em casa, no campo, na estrada, em
qualquer lugar.
Ler a vida e a morte.
Saber ser leitor tendo o direito de saber ler.
Ler, simplesmente ler. 

Edith Teodoro








OBS:Confeccionamos para a escola um banner com este texto
Ler sempre

Ler, ler vamos ler
Ler, ler é saber
Ler, ler é preciso ler
Ler, ler é aprender
Ler, ler é sonhar
Ler, ler é viajar
Ler, ler é emocionar
Ler, ler é conquistar
O livro é o professor do professor
Quem escreve livro é escritor
Para escrever um livro
Quantos outros foram precisos?
O livro é só o começo de uma história
É o espelho da memória
Registro de conhecimento
Ao longo do tempo
(música de Helena Cabral)



AVALIAÇÃO
A proposta deverá ser avaliada de forma contínua junto a alunos e professores, para que sejam detectados os avanços em relação aos objetivos propostos e realizados eventuais impasses diagnosticados em seu processo de execução, enfim, buscando o redirecionamento /aperfeiçoamento desse trabalho, para que o aluno possa realmente desenvolver a competência leitora.

domingo, 14 de julho de 2013

O modo de produção capitalista e o papel da educação na visão de Émile Durkheim, Karl Marx e Max Weber




O trabalho, ora apresentado, pretende abordar dentro de um quadro comparativo,como os três pensadores da sociologia clássica Émile Durheim, Karl Marx e Max Weber abordam o modo de produção capitalista, ou seja, como esse três autores questionaram o processo de desenvolvimento socioeconômico ao longo de sua historia.Ou para ser mais preciso: como as idéias desses autores têm influenciado o pensamento da educação na atualidade. É evidente que é difícil estabelecer entender as aproximações e divergência de três teorias tão complexas,sem preocupações de repetir,ou de não repetir,o que muito já disseram.
No entanto, dos três fundadores da Sociologia da Educação, apenas um, Émille Durkheim, possui uma Sociologia da Educação sistematizada em obras especificas desse tema - Nem Karl Marx nem Max Weber dedicaram um texto específico à educação que pudesse dar origem à Sociologia da Educação como vertente da disciplina. Essa ausência não impediu, todavia, que, depois deles, houvesse sociólogos que se fundamentassem nos excertos desses pensadores para estudar o fenômeno educativo.
Se, ao elaborar este trabalho, alguma vez parei,para consultar as obras dos verdadeiros mestres, foi somente para me certificar do acerto de uma ou de outra passagem ou da fidelidade das poucas alusões feitas aos seus pensamentos.Só quis dizer o essencial e é possível que nem mesmo o essencial eu tenha dito.Não importa.Trata-se,deveras,deu trabalho compacto,comprimido enfim,será fácil perceber o muito que se deixou de dizer.

Karl Marx
Sociologia critica

Max Weber
Sociologia compreensiva

Modo de produção capitalista
Karl Marx

Sociologia da ordem
A sociedade prevalece sobre o indivíduo,ou seja, ela se sobre-sai sobre o individuo, pois quando este nasce tem de se adaptar às normas já criadas, como leis, costumes, línguas, etc.
O indivíduo, por exemplo, obedece a uma série de leis impostas pela sociedade e não tem o direito de modificá-las. “O homem, mais do que formador da sociedade, é um produto dela”

Estabelece o método e o objeto de estudo sociológico: o objeto de estudo da Sociologia são os fatos sociais. Esses fatos sociais são as regras 
impostas pela sociedade (as leis, costumes, etc. que são passados de geração a geração). “os fatos sociais devem ser tratados como coisas”, Os fatos sociais são conseqüência da divisão social do trabalho.Os problemas sociais não são de ordem econômica.
Karl Marx

Sociologia critica
A sociedade é desigual por natureza.O homem está inserido em relações contraditórias presentes na conflituosa sociedade.
Os conflitos que permeiam a sociedade resultam do processo de produção onde aqueles que detêm os meios de produção e se impõem através da ideologia.A lei fundamental de uma sociedade está vinculada ao desenvolvimento de suas forças produtivas,que em determinado estagio de desenvolvimento,chega a seu limite e entram em contradição com a relação de produção que as desenvolvem. Para ele, ”a historia de toda sociedade até hoje é a historia da luta de classes” A divisão social do trabalho para Marx é “a totalidade das formas heterogênea de trabalho útil,que diferem em ordem,gênero,espécie e variedade” A divisão do trabalho se estende para além da produção material e exerce uma função de dominação daclasse burguesa sobre a classe proletária.

Max Weber
Sociologia compreensiva
Para compreender a sociedade,seria imprescindível compreender a “ação social” do individuo. Para Weber a sociedade pode ser compreendida a partir do conjunto das ações individuais. Estas são todo tipo de ação que o indivíduo faz, orientando-se pela ação de outros.A sociedade é fruto das ações dos homens.Os indivíduos são mais importantes que a sociedade. Weber estabeleceu quatro tipos de ação social: 1 – ação tradicional: aquela determinada por um costume ou um hábito arraigado;
2 – ação afetiva: aquela determinada por afetos ou estada sentimentais;
3 – racional com relação a valores: determinada pela crença consciente num valor considerado importante, independentemente do êxito desse valor na realidade;
4 – racional com relação a fins: determinada pelo cálculo racional que coloca fins e organiza os meios necessários

Papel da educação e da escola
Durkeim
Para Durkeim o objeto da sociologia é o fato,e a educação é considerada como o fato social,isto é,se impõe coercitivamente como uma norma jurídica ou como uma lei.Para ele cada tipo de sociedade real,histórica,cria e impõe o tipo de educação de que necessita.A educação existe na sociedade dentro da cultura cada sociedade,considerada em momentos determinados de seu desenvolvimento,possui um sistema de educação que se impõe aos indivíduos de modo geralmente irresistíveis. Durkheim sugeria que a ação educativa funcionasse de forma normativa. “a educação tem por objetivo suscitar e desenvolver na criança estada físicos e morais que são requeridos pela sociedade política no seu conjunto”.
Karl Marx
A educação para ele é transformadora. Ou seja, educar dentro do processo produtivo para mostra ao homem (ser social) que é ele o criador e responsável pela transformação da sociedade. A sua proposta de educação politécnica compreende três pontos centrais: educação intelectual, educação corporal e educação tecnológica. O primeiro ponto não é detalhado pelo próprio autor. O segundo tem como objetivo atenuar os efeitos mutiladores da produção através de exercícios militares e de ginástica. O terceiro ponto compreende a educação tecnológica que deve abordar os princípios gerais e de caráter científico de todo o processo de produção e, ao mesmo tempo, iniciar as crianças e adolescentes a operar com instrumentos de trabalho dos diversos ramos industriais. “Marx diz que os conteúdos educacionais devem contemplar três dimensões: uma educação mental, uma educação física e uma educação tecnológica”

Max Weber

A educação vai ser responsável para prepara os indivíduos viver em sociedade.Essa é uma educação racional. As reflexões de Weber sobre a educação são compreendidas no âmbito de sua Sociologia Política.A educação e a escola,como instituição do Estado Moderno,passam a ser um fator de estratificação social e não mais educar para o mundo. A relação de poder mais forte é a dos órgãos governamentais sobre a escola A educação é um elemento importante por favorecer o êxito do indivíduo na seleção social. A educação pressupõe uma associação entre os indivíduos, e estes visam a um determinado objetivo.
Historicamente, os dois pólos opostos no campo das finalidades da educação são: despertar o carisma, isto é, qualidades heróicas e dons mágicos, e transmitir o conhecimento especializado.

COMO A EDUCAÇÃO DE HOJE PODE SER VISTA BASEADAS NA OBRA DURKHEIM,WEBER E MARX



No século xx, três diferentes linhas teóricas clássicas, sistematizadas por Émile Durkheim, Karl Marx e Max Weber alicerçaram, e ainda alicerçam, concepções sociológicas contemporâneas. Ambos os pensadores tiveram em comum a busca de soluções para os graves problemas sociais gerados pelo modo de produção capitalista; isto é, a miséria, desemprego e as conseqüentes greves e rebeliões operárias. Cada um desses sintomas sociais foi analisado por esses pensadores como desvios ou anomalias da sociedade, que poderiam ser corrigidos ou mesmo solucionados pelo resgate de valores morais – como a solidariedade – os quais restabeleceriam relações estáveis entre as pessoas,independentemente da classe social a que pertencessem. Um dos mecanismos responsáveis por essa tarefa seria a educação, capaz de adequar devidamente os indivíduos à nova sociedade.Enfim,dentro desse contexto,cabe a seguinte pergunta:
Como as idéias desses autores têm influenciado a educação na atualidade?Ou melhor,como conciliar essas diferentes concepções,sobretudo dos conceitos de alienação em Karl Marx, de anomia social em Émile Durkheim e de racionalização em Max Weber?
Para entender a importância que esses três autores possuem para o pensamento moderno em especial para a educação,é preciso demonstra quais são as questões levantadas por eles que ainda nos ajudam a pensar a realidade do mundo de hoje.
Dos três fundadores da Sociologia da Educação, apenas um, Émille Durkheim, possui uma Sociologia da Educação sistematizada em obras especificas desse tema - Educação e Sociologia; A evolução pedagógica na França e Educação Moral. Nem Karl Marx nem Max Weber dedicaram um texto específico à educação que pudesse dar origem à Sociologia da Educação como vertente da disciplina. Essa ausência não impediu, todavia, que, depois deles, houvesse sociólogos que se fundamentassem nos excertos desses pensadores para estudar o fenômeno educativo.
Para Durkheim, o objeto da sociologia é o fato social, e a educação é considerada como o fato social, isto é, se impõe, coercitivamente, como uma norma jurídica ou como uma lei. Desta maneira a ação educativa permitir uma maior integração do individuo e também permitirá uma forte identificação com o sistema social “...a educação consiste numa socialização metódica da nova geração pelas gerações adultas... [tendo em vista realizar] certo ideal de homem... [que] …é, em certa medida, o mesmo para todos os cidadãos...[pois] ...a sociedade somente poderá viver se entre os seus membros existir uma suficiente homogeneidade”. Portanto, podemos dizer que a educação é um fato social, por ser ela exterior ao individuo, coercitiva e generalizada,impondo normas e integrando os homens em sociedade, buscando com isso o estabelecimento de uma pratica coletiva que amenize o conflito.
Durkheim acredita que a sociedade estabelece os caminhos que cada individuo deve trilhar, no sentido de manter a ordem e buscar o progresso. Nesse contexto, a educação e a escola têm o papel de socializar o indivíduo para que ele se desenvolva dentro dos padrões preestabelecidos o seu grupo social.Nesse contexto, podemos perceber que a visão de Durkheim identifica educação com socialização enquanto ação unilateral dos velhos para os novos e enquanto determinismo do social sobre o individual. Estas formulações podem ser compreendidas no contexto da sua obra e do seu tempo histórico, pois para o autor havia a necessidade de preservar a sociedade contra o individualismo das novas sociedades urbano-industriais, assegurando suficiente coesão e integração social e moral, contra o egoísmo e a anomia, isto é, reproduzir um passado, moralmente mais coeso e integrado, no presente.Enfim,podemos perceber que a leitura que Durkheim faz da sociedade e da função que a educação exerce sobre esses indivíduos é de formar indivíduos que se adaptem á estrutura dessa mesma sociedade e manter a ordem social.
Já para Karl Marx a educação assume uma visão diferente, visto que ele não elaborou uma teoria pedagógica. Toda a concepção de Marx acerca de emancipação humana só pode ser plenamente compreendida através da oposição entre trabalho alienado e trabalho produtivo.Marx estabelece pontos para o entendimento da estrutura da sociedade capitalista, no sentido de transformá-la, pois, segundo ele, essa sociedade capitalista é exploratória e contraditória,o que concretiza e aprofunda as desigualdades entre homens Portanto,ele defende a total ruptura com qualquer ordem burguesa existente.
A atualidade do pensamento de Marx tem sido amplamente discutida nos debates sobre educação e trabalho a partir da concepção de educação politécnica, na qual ele defendeu a integração de uma educação humanista, tecnológica e corporal. Essa educação ele chama de politécnica. A educação para ele é transformadora. Educar dentro do processo produtivo para mostra ao homem (ser social) que é ele o criador e o responsável pela transformação da sociedade. Na leitura de dele a educação é responsável pela construção da sociedade á chamada homnilateralidade, concepção que diz respeito á realização/emancipação do homem através do trabalho.Contudo, Marx defende a tese de que, a partir dos 9 anos, todas as crianças devem se converter em trabalhadores produtivos e que todos os adultos devem trabalhar tanto com o cérebro como com as mãos. As crianças e jovens, de ambos os sexos, deveriam ser divididas em três grupos de acordo com a sua faixa etária: 9 a 12, 13 a 15 e 16 a 17 anos, e deveriam trabalhar 2, 4 e 6 horas respectivamente. A sua proposta de educação politécnica compreende três pontos centrais: educação intelectual, educação corporal e educação tecnológica. O primeiro ponto não é detalhado pelo próprio autor. O segundo tem como objetivo atenuar os efeitos mutiladores da produção através de exercícios militares e de ginástica. O terceiro ponto compreende a educação tecnológica que deve abordar os princípios gerais e de caráter científico de todo o processo de produção e, ao mesmo tempo, iniciar as crianças e adolescentes a operar com instrumentos de trabalho dos diversos ramos industriais. A combinação desses três elementos colocaria a classe operária acima do nível da aristocracia e da burguesia.
Nesse contexto, percebemos que Marx propõe uma sociedade livre das condições de contradição,das classes sociais e da exploração do trabalho.É nesse sentido que a educação é vista como fator de transformação social e ponto central para a construção das novas condições da vida humana.

Finalmente, apresenta-se a contribuição de Max Weber para explicar uma terceira postura de ver os processos sociais. Weber fala do modelo de racionalização do mundo moderno,Para ele a sociedade é racionalizada,ou seja ela é fruto dos conjuntos das ações individuais.Nesse sentido, entende a racionalização como o caminho que orienta a sociedade para o mais alto grau de instrumentalização e burocratização, onde a ética e os valores são determinados pelos fins últimos. Podemos dizer que seu pensamento propicia uma reflexão das diversas formas de agir de cada individuo.Essa interação entre as partes influenciaria a construção de uma realidade social.
Weber não dedicou um artigo e nem um capítulo de livro à educação, embora tenha feito referências esparsas ao tema no decurso de sua produção acadêmica.Todavia,podemos dizer que a educação para Weber,é o modo pelo qual os homens são preparados para exercer as funções dentro da sociedade.Essa educação é uma educação racional. Max Weber afirma categoricamente: “Ao ir a escola você emprega sua racionalidade e leva em consideração a racionalidade dos outros e o modo como ela interfere ou pode vir a interferir em seu próprio comportamento” . Ao ir para escola a criança desenvolve o raciocínio, aprende a opinar, se posicionar, expor idéias, melhorar o seu comportamento até mesmo na família.A educação e a escola,como instituição do Estado Moderno,passam a ser um fator de estratificação social e não mais educar para o mundo.Nesse contexto, Max Weber questiona que a tarefa da Sociologia é interpretar este agir de modo que ele se torne um agir compreensivo, e isso significam, um agir de homens, que se relacionam uns com os outros.Contudo, podemos percebe que a educação para ele não está vinculada como formação integral do homem,mas uma educação como treinamento para habilitar o indivíduo para a realização de determinadas tarefas,a fim de obter poder e dinheiro,dentro dessa sociedade cada vez mais racionalizada,burocratizada e estratificada.
Diferentemente de Durkheim e Marx,Weber persistiu em toda a sua obra numa visão pessimista da sociedade moderna e resignada em ralação aos problemas desta,inclusive os de educação.Separando ciência e política em esferas distintas,Weber defendeu que não cabia ao cientista fazer previsões sobre o rumo dos acontecimentos históricos – essa seria uma tarefa para os profetas.
Enfim, é impossível se colocar á altura dos principais temas e questões do nosso tempo sem entender o pensamento desses três autores Durkheim, Karl Marx e Max Weber para a educação nos dias de hoje. Na verdade, nenhum dele traz formulas prontas,mas cada um a sua modo nos faz refletir sobre educação.

Mídia e Educação


"A mídia, de modo geral, incluída a Folha, comunga com
 empresários e políticos o discurso, mais ou menos unânime,
 de que a educação, na dita "sociedade do conhecimento", em
que nos encontramos atualmente, é a coisa mais importante,
 devendo ser, portanto, a prioridade número 1 dos governos e da
 sociedade como um todo.
No entanto, assim como os governos relutam em traduzir a
 referida prioridade em mais investimentos, a mídia também se
 nega a traduzi-la no noticiário referente às iniciativas educacionais.
 A semana que passou foi palco de um dos principais
 acontecimentos da educação brasileira: a Conferência Nacional 
de Educação (Conae), aberta em Brasília na noite de 28 de março,
 e encerrada no dia 1º de abril.
Essa conferência tratou de dois temas fundamentais: a organização
 do Sistema Nacional de Educação e a elaboração do Plano Nacional
de Educação, que deverá substituir o atual. Dos resultados da Conae
 deverão sair projetos de lei a serem encaminhados ao Congresso
 Nacional para discussão e aprovação.
Apesar da grande importância desse acontecimento, a mídia falada
 e escrita nada publicou a respeito. Acompanhei como assinante
 a Folha para ver o que seria publicado sobre o assunto. A Conae
 se encerrou e nada encontrei. Como explicar essa omissão da
 mídia diante de algo que ela mesma proclama como de
 transcendental importância? Seria tal proclamação apenas
 uma máscara a disfarçar o desinteresse de nossas elites
 dominantes e dirigentes no que se refere a uma educação
que efetivamente venha a propiciar a toda a população brasileira
 uma visão clara e consistente da situação em que vive?"
DERMEVAL SAVIANI, professor emérito da Unicamp (Campinas, SP)

domingo, 12 de maio de 2013

Feliz dia das Mães


Literatura


História do Cordel

Material de autoria do parceiro e Violeiro Fábio SombraPublicadooriginalmente no folheto “Proseando Sobre Cordel”.
A Origem nas Feiras Medievais
Nossa viagem em busca das origens do cordel começa na Europa, na Idade Média, num tempo em que não existia televisão, cinema e teatro para divertir o povo. A imprensa ainda não tinha sido inventada e pouquíssima gente sabia ler e escrever. Os livros eram raríssimos e caros, pois tinham de ser copiados a mão, um a um. Então, como as pessoas faziam para conhecer novas histórias?

Pois bem, mesmo nos pequenos vilarejos existia um dia da semana que era especial: o dia da feira. Nessas ocasiões, um grande número de pessoas se dirigia à cidade, e ali os camponeses vendiam seus produtos, os comerciantes ofereciam suas mercadorias e artistas se apresentavam para a multidão.


Um tipo de artista muito querido por todos era o trovador ou menestrel. Os trovadores paravam num canto da praça e, acompanhados por um alaúde (um parente antigo dos violões e violas que conhecemos hoje), começavam a contar histórias de todo tipo: de aventuras, romance de paixões e lendas de reis valentes, como o Rei Carlos Magno e seus doze cavaleiros. 

Para guardar tantas histórias na cabeça, os trovadores passaram a contar suas histórias em versos. Dessa forma as rimas iam ajudando o artista a se lembrar dos versos seguintes, até chegar o fim da história.


Ao final da apresentação, o povo jogava moeda dentro do estojo do alaúde. O trovador, satisfeito, agradecia e partia em direção a próxima feira.
 




Codinome Lampião


O meu nome é Virgulino 
O lagarto nordestino
Ouça bem o que lhe digo
O cangaço é meu quintal
Meu sobrenome é perigo
Vai logo me dando essas moedas
Vai logo rezando á padre Ciço

Foi com Antônio e Levino
Com meus irmãos eu aprendi
Que no cangaço o homem
Tem que ser macho
No cangaço o homem
Não pode dormir

Leão valente e cangaceiro
Macho de todas as maneiras
Foi assim que eu me apresentei
Na tropa do sinhô Pereira

Vendo o sofrimento de meu povo
Nas mãos do crime eu cai
Na casa da baronesa
De água branca eu bebi

Peguei o bicho pelo pescoço
Prendi Antônio Gurgel
Um frio na espinha desceu pelas costas
Me gelando a boca do céu

Numa agonia de dá dó
Foi dois de uma vez só
Perdi Colchete e Jararaca
Na invasão á Mossoró

O calango escondido
Não aceitou a derrota
Mas tive que esperar
Pois Pernambuco, Paraíba
E Ceará, estavam á me caçar

Atravessei o São Francisco
Com cinco cabras na mão
E foi lá na Bahia
Que eu me levantei do chão

Um certo dia escondido
Na fazenda de um coiteiro 
Foi lá que eu encontrei
Meu amor verdadeiro

Só tinha um problema
Era a mulher do sapateiro

Fugiu comigo em nome desse amor
Enchendo meu coração de alegria
Maria Déia, cheia de idéia 
Flor nordestina


Na caatinga 
Debaixo de um umbuzeiro
Nasceu minha filha Expedita
Lindo anjo vindo do céu
Á iluminar minha vida

Com minhas roupas de Napoleão
Feitas pelas minhas mãos de artesão
Apresentei meu bando e minhas cartucheiras
Ás lentes de Abrão

O meu olho que vazava
Dr: Bragança arrancou
Confesso tive medo
Mas não senti nenhuma dor

Meu destino tava chegando
Senti meu peito sangrar
João Bezerra e Aniceto Rodrigues
Vieram me atocaia 

Vi cai Quinta-feira
Vi cai Mergulhão
Vi cai Enedina
De joelho no chão

Vi Moeda e Alecrim
No rabo do foguete 
Vi cai Macela
Vi cai Colchete

Antes de dar meu último suspiro
Pensei no meu amor
Onde tá Maria Bonita?
Minha amada
Minha flor

Fui Virgulino Ferreira da Silva
Codinome Lampião
Vivi, amei, e morri
Nos braços do Sertão. 

Sandro Kretus

O andarilho da terra do fogo
http://recantodasletras.uol.com.br/e-livros/1346801

Poesia - Jesus no Xadrez



Jesus No Xadrez
(Cordel Do Fogo Encantado)

No tempo em que as estradas
Eram poucas no sertão
Tangerinos e boiadas
Cruzavam a região
Entre volante e cangaço
Quando a lei
Era a do braço
Do jagunço pau-mandado
Do coroné invasô
Dava-se no interiô
Esse caso inusitado

Quando o Palmeira das Antas
Pertencia ao capitão
Justino Bento da Cruz
Nunca faltô diversão
Vaquejada, canturia
Procissão e romaria
sexta-feira da paxão

Na quinta-feira maió
Dona Maria das Dores
No salão paroquial
Reuniu os moradores
Depois de uma preleção
Ao lado do capitão
Escalava a seleção
De atrizes e atores

Todo ano era um Jesus
Um Caifaz e um Pilatos
Só não mudavam a cruz
O verdugo e os maltratos

O Cristo daquele ano
Foi o Quincas Beija-flor
Caifaz foi Cipriano
Pilatos foi Nicanô

Duas cordas paralelas
Separavam a multidão
Pra que pudesse entre elas
Caminhar a procissão

Quincas conduzindo a cruz
Foi num foi adivirtia
O Cinturião perverso
Que com força lhe batia

Era pra bater maneiro
Bastião num intidia
Divido um grande pifão
Que tomou naquele dia
D'um vinho que o capelão
Guardava na sacristia

Cristo dizia:
- Ô rapais, vê se bate divagar
Já to todo incalombado
Assim num vô agüentar
Tá cá gota pra duer
Ou tu pára de bater
Ou a gente vai brigar
Jogo já essa cruis fora
Tô ficando aperriado
Vô morrê antes da hora
De ficar crucificado

O pior é que o malvado
Fingia que num ouvia
E além de bater com força
Ainda se divirtia
Espiava pra Jesus
Fazia pôco e dizia:
- Que Cristo frôxo é você?!
Que chora na procissão
Jesus, pelo que se sabe
Num era mole assim não
Eu to batendo com pena
Tu vai vê o que é bom
Na subida da ladeira
Da venda de Fenelom
O côro vai ser dobrado
Até chegar no mercado
A cuíca muda o tom

Naquele momento ouviu-se
Um grito na multidão
Era Quincas
Que com raiva
Sacudiu a cruz no chão
E partiu feito um maluco
Pra cima de Bastião
Se travaram no tabefe
Pontapé e cabeçada
Madalena levou queda
Pilatos levou pancada
Deram um cacete em Caifaz
Que até hoje num faz
Nem sente gosto de nada

Dismancharam a procissão
O cacete foi pesado
São Tumé levou um tranco
Que ficou desacordado
Acertaram um cocorote
Na careca de Timote
Que inté hoje é aluado

Inté mesmo São José
Que num é de confusão
Na ânsia de defender
Seu filho de criação
Aproveitou a garapa
Pra dar um monte de tapa
Na cara do bom ladrão

A briga só terminou
Quando o dotô delegado
Interviu e separô
Cada santo pro seu lado

Desde que o mundo se fez
Foi essa a primêra vez
Que Jesus foi pro xadrês
Mas num foi crucificado



Todas as mulheres





Todas as mulheres
(Dalinha Catunda)


Mulher melindrosa
Bonita e faceira
Safada brejeira,
Rude perigosa
Desfila garbosa
Com sua bandeira
Na missa na feira
No lar no bordel
Cumpre seu papel
Com ar de guerreira.

Mulher mal-amada
Sem eira nem beira
Que fala besteira
E desatinada
Se diz estudada
E bate no peito
Botando defeito
Em tudo que ver
Não sabe crescer
Mas deve ter jeito.

Mulher atrevida
 Que rir e graceja
Que toma cerveja
Que é seduzida
Que gosta da vida
De amor e paixão
Sem elo ou prisão
Tem autonomia
E sem ser vadia
Respira emoção.

A mártir do lar
Mulher não quer ser
Aprendeu bater
Pra não apanhar
Se o homem tentar
Ele entra na lenha
Maria da Penha
É lei que vigora
Quem bate agora
Algema desenha.

Mulher quer carinho
Não foge do laço
E sem embaraço
Refaz seu caminho
Quer flor sem espinho
E quer ser querida
Ser reconhecida
Em tudo que faz
Ser igual lhe apraz
Por ser aguerrida.